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02.09.08

Permalink 14:28:21, por admin Email , 260 palavras, 4 views   Portuguese (BR)
Categorias: Avenida.Copacabana, Bairro.Peixoto, Copa.Antiga

Copacabana não, boa noite Vietnan!

Caetano cantou que o Haiti era aqui. Hoje eu posso afirmar sem nenhuma sombra de dúvida que Copacabana é o Vietnan!

Eu cresci perambulando de molecagens ali na Ladeira dos Tabajaras onde sempre, sempre tive muitos amigos. Em algum momento entre 1978 e 1980 as coisas começaram a mudar em Copacabana. O Movimento começou a ficar mais pesado, mais armado, mais violento.

As turmas das esquinas de Copacabana acompanharam o "desenvolvimento" social e também começaram a surgir meninos armados nas turmas. E como uma coisa leva a outra ontem mataram dois na Tabajaras, hoje feriram outro no Pavão e amanhã matam você, de bala perdida, na Barata Ribeiro ou na Siqueira Campos.

Copacabana o berço da Bossa Nova, bossa velha, bosso nova é pancadão de trilha sonora e AR-15 de melhor amigo, Funk é cultura, é a cara do Estado do Rio de Janeiro. Em que estado nos deixaram...

Mas, com toda certeza, você vai poder protestar! Claro que vai, domingo vão ter cruzes na praia, gente de preto na Atlântica e caixões descendo dos Morros!

Operações cirurgicamente orquestradas por maestros das pistolas, cujo resultado seja no subúrbio seja na Princesinha é sempre pré-determinado: mortos e feridos!

Ih, foi ele é?
Muito amigo meu, falava com ele sempre...
Antes ele do que eu!

E nessa quase primavera em Copacabana, a tarde vai caindo linda como em um cartão postal cuja foto foi tirada lá de cima do Morro, onde tem uma favela e onde ontem morreram dois!

Copacabana não, boa noite Vietnan!

28.07.08

Permalink 22:29:17, por admin Email , 131 palavras, 48 views   Portuguese (BR)
Categorias: Avenida.Copacabana, Bairro.Peixoto, Copa.Antiga

Festa Julina na Serzedelo

Domingo estive na Pç. Serzedelo Correia (Pç. dos "paraíbas"), e gostei
muito da festa. Essa festa é a mesma que acontecia na praça do Bairro
Peixoto
? Achei o local muito melhor mais espaçoso e a festa ficou mais organizada.

Copacabana anda meio carente de eventos para os moradores do bairro.
Tudo que acontece é para quem vem de fora. É muito bom receber os
visitantes, seja de outros bairros ou turistas, mas ultimamente só tem
mega eventos que tem trazido muitos problemas para os moradores e nada
é feito para os que vivem aqui.

É como se Copacabana fosse terra de ninguém.

A festa julina aconteceu sem problemas e com muita segurança, os
organizadores estão de parabéns.

Espero que tenham mais eventos direcionados para nós copacabanenses.

Abç.

Sgomes

03.07.08

Permalink 11:24:13, por admin Email , 367 palavras, 69 views   Portuguese (BR)
Categorias: Avenida.Copacabana, Posto.5

Sobrenatural de Almeida

Pela manhã, Almeida acordou bem tarde e fez exatamente as mesmas coisas que fazia todos os dias há muito tempo: foi ao banheiro, tomou um café com pão com manteiga e abriu o jornal do dia!

- Grande final, ora bolas.

Só se falava nisso em Copacabana. Nas janelas bandeiras, nas ruas pessoas vestidas com a camisa listrada, nos bares a certeza absoluta da vitória esmagadora.

Mas ele, acima de qualquer pessoa, que tinha sérias dúvidas da empolgação dos outros fanáticos, não acreditava mesmo.

- Eu duvido, isso sim!

Não era uma dúvida, era uma certeza. Ficou vendo televisão a tarde toda, os programas de entrevistas, o frisson, a encomenda do chope, a festa no Sambódromo, o gordo Cardiologista reconhecendo o próprio trabalho bem feito, o seu grande sucesso administrativo!

Trabalhando no Caju, ele passaria bem no meio do tumulto, como uma alma penada, uma alma perdida, mais um que passaria batido pelo templo do futebol. Até se lembrou de Nelson, seu irmão mais velho, que já tinha morrido e que também era um torcedor fanático, mas que acreditava no improvável, no sobrenatural!

E como foi difícil sair de Copacabana naquele início de noite... mas às 20:00 em ponto já estava batendo o ponto no cemitério.

Não viu nada do que se passou mergulhado que estava nos seus afazeres burocráticos de todos os dias, mas ouviu os gritos. Ah, isso ouviu! Uma, duas, três, quatro vezes e depois o silêncio.

O retumbante silêncio que se abateu. Por volta de uma e meia da manhã, pegou o seu caminho e voltou prá Copacabana, pensando no que teria acontecido na verdade.

Em Copacabana, nada.

As bandeiras já haviam sido recolhidas, as pessoas dormiam como se nada tivesse acontecido, vivendo o pesadelo da frustração.

Almeida chegou em casa, numa Cinco de Julho ainda mais silenciosa que o normal.

Nem lanchou. Foi direto da cama, com a certeza do dever cumprido, de não ter presenciado o inexplicável, não ser parte do surpreendente, de não ter nada a ver com isso tudo.

Almeida deitou e dormiu.

25.06.08

Permalink 14:32:55, por Guto Senra Email , 8 palavras, No views   Portuguese (BR)
Categorias: Estórias

COPACABANA by Sykeology101






Mais fotos de Copacabana aqui, no Flick dele.

Permalink 14:23:56, por Guto Senra Email , 486 palavras, No views   Portuguese (BR)
Categorias: Estórias

PAREDES FINAS DEMAIS

Barata Ribeiro
Patroa foi viajar com as crianças para o litoral, aproveitar este período de descanso da Justiça para relaxar, muito justo por sinal. Mais justo que isso foi a minha sogra ter ido junto, ficando somente eu e o gato, que a maioria aqui conhece pelo bichano gordo que divide o sofá da sala.

A empregada ficou, bem, pelo menos eu a vi pela manhã e quando cheguei em casa encontrei um monte de roupa no varal e comida no fogão, uma puta macarronada com tudo a que tem direito. E foi só. Antes isso que chegar em casa e encontrá-la com o safado do porteiro, outro que não vale nada e enche a porra do meu saco toda vez que nosso time vai jogar.

Ao contrário dos outros dias, consigo sair cedo do trabalho, sentindo até um sentimento de culpa por não conseguir fazer isso quando todos estão em casa. Sabendo que ia dividir a cama com a minha mão e o controle remoto peguei uns dois filmes na locadora, mas a julgar pela hora, com sorte chego na metade do primeiro.

Cerveja que tinha na geladeira acabou. O gato fica me rodeando mas não dou nem papo, porque comida tem, caminha quentinha só com a mamãe dele que está tomando uma puta de uma chuva na praia e ainda por cima ficou com um quarto com goteira. Não poderia ser pior. Ah, sim. Poderia,
ainda é terça, só volta sexta. Quer apostar quanto que só porque é o final de semana do de peladas da minha turma além do sol sair vai fazer um calor infernal?

A macarronada já era, aliás, estou no segundo prato. Nada pra fazer, não vou conseguir pagar minhas contas agora mesmo, deixo esta humilde mensagem com algumas constatações:

* Nada melhor do que cagar com a porta aberta, vento corrente e sem pressa;
* Meu apartamento produz muito eco, dá para ouvir o chuveiro pingando do corredor;
* Preciso abaixar o som dos meus jogos, principalmente depois de uma da manhã;
* Devia ter pegado um filme pornô, televisão aberta não acontece nem um peitinho;
* Lavar a louça para que? A empregada volta, não volta!??!?
* Ficar de cuecas na sala é o que há!
* Não tem ninguém para comprar coca cola para mim;
* O corredor é ótimo para andar de skate;
* Dá o maior eco quando se joga bombinha pela janela que dá para o estacionamento;
* Interfone toca todo dia mas não atendo;
* Alguém deixou a geladeira aberta, a única lata de cerveja ficou choca;
* Ninguém fica online no dia 2 de janeiro;
* Qualquer apartamento da Barata Ribeiro sofre de paredes finas.

Amanhã tem mais, vou dormir
porque ouvi sirenes na rua
e alguém batendo na porta.

Tomara que não seja comigo!

Texto publicado originalmente no blog Morava em Copacabana.

23.05.08

Permalink 11:03:58, por admin Email , 127 palavras, 36 views   Portuguese (BR)
Categorias: Leme

Compro apatia do Leme

Vendo o bairro do Leme indo para o buraco com essa bandidagem tomando conta da vida e em breve das casas de vôces, sei de um produto que anda sobrando no Leme do qual me interessa muito que é apatia. Aviso a todos que ando comprando apatia de todas as formas pode ser líquida, sólida ou gasosa. Esse material é farto com o povo do Leme. Compro apatia e vendo para países desenvolvidos que tem a mania esquisita de lutar, reclamar e cobrar por seus direitos como a decadência de uma cidade, por exemplo. Eu vendo, para eles adotarem o correto jeito de ser do povo lemense.

Publicado originalmente por Haroldo na Comunidade Leme no Orkut

Entenda a situação do Leme clicando aqui

27.04.08

Permalink 18:31:29, por admin Email , 356 palavras, 117 views   Portuguese (BR)
Categorias: Avenida.Copacabana, Bairro.Peixoto, Posto.5, Posto.6, Copa.Antiga

O cheiro do éter

Vivi uma infância entorpecida pelo éter em Copacabana, para onde me mudei aos 7 anos, depois de sair da Ilha do Governador. O cheiro espalhava-se pelo Posto 5, no rastro de um grande homem andrajoso freqüentemente visto arrastando-se pela Barata Ribeiro. Ele rondava a famosa - e fechada - farmácia Piauí, quase na esquina de Constante Ramos, mas não sei se comprava o vidrinho do produto ali. Os conservadores moradores usavam aquela figura, se não me engano, chamava-se Eduardo, para afastar os filhos das drogas naqueles anos 70. Diziam ser ele um rico herdeiro que havia enlouquecido por causa de maconha, cocaína e ácido e que, agora, afastado da família abastada, pedia esmolas para comprar éter. Eu o vi várias vezes dando suas cafungadas no paninho embebido do líquido, mas nunca acreditei muito no papo da riqueza dele. Para mim, o mendigo era triste, muito triste, e isso só poderia se explicar por alguma desilusão romântica. Inventei uma história para o homem que por um tempo ocupou o lugar das minhas bonecas nas brincadeiras de desvarios. Ele não seria do bairro, mas teria ido à praia lá e encontrou uma 'cocota', por quem se apaixonou. A moça o esnobava, mas ele não ligava, só queria ficar perto dela. Nunca mais voltou para casa, vivendo da piedade alheia. O tempo passou, ela se casou com outro e mudou de lá. Alucinado de dor, o pobre passou a se anestesiar com éter. Fez voto de silêncio - realmente, nunca ouvi sua voz -, parou de tomar banho e fugiu do lugar-comum chamado realidade. Procurava seu amor contrariado sempre rondando quatro quarteirões. Em vão. Seu pé, inchado como seu fígado, sangrava, assim como seu peito. Um dia, Eduardo chorou muito, e as lágrimas cheiravam a éter. Ele, então, cobriu os olhos e o nariz com seu paninho sujo e ficou agonizando três dias assim. Depois disso, ninguém mais o viu. Eduardo sumiu. Virou folclore para os copacabanenses e marco de tristeza para mim.

Originalmente publicado por Ana Silvia Mineiro em Válvula de Escape

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